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Quando você começa a se ouvir, o mundo deixa de pesar tanto

  • gramosena
  • 14 de fev.
  • 2 min de leitura

Tem mulher que acha que autoconhecimento é abrir mil livros, fazer testes de personalidade, revisitar todos os traumas de infância de uma vez e, se possível, antes das oito da manhã.


Mas, na vida real, começar a olhar para si não tem nada de glamouroso.


Geralmente começa quando você percebe que está cansada. Quando se vê mais raivosa do que gostaria. Quando se sente decepcionada consigo mesma e nem sabe explicar exatamente por quê.


Não é bonito, não é organizado, não é inspirador. É incômodo.


A gente foi ensinada a dar conta. Dar conta da casa. Do trabalho. Dos filhos. Do casamento. Da mãe, do pai. Da amiga em crise. Do grupo da escola. Do próprio corpo. Do cabelo.


E fazer tudo isso impecavelmente.


Como um “plus”, ainda sorrindo. Sem surtos. Sem reclamar demais.


Então, quando o cansaço aparece — e ele aparece — a primeira conclusão costuma ser: “Eu não estou sendo suficiente.”


Posso afirmar que quase nunca é isso.

Mas o sentimento existe. E sentimento não se invalida. Ele precisa ser reconhecido.


Muitas vezes, o que está por trás desse esgotamento são padrões antigos que viraram hábito. Foi aquela menina que aprendeu cedo que precisava ser madura demais. A criança que não podia errar. A adolescente que não conseguia se expressar. A adulta que acredita que descansar é falhar.


A mulher que vive exausta e acha que isso é fraqueza costuma se responsabilizar por tudo, inclusive pelo que não é dela, pelo que não lhe cabe.

Ela funciona, mas não se sente inteira. E, aos poucos, vai se sentindo cada vez mais perdida. Cada vez mais distante de si.


É nesse ponto que a terapia se torna um lugar seguro.


Um espaço onde o sujeito pode explorar as próprias emoções, organizar pensamentos, olhar para si com mais clareza, aquilo que chamamos de autoconhecimento.


Sempre reforço que: é um processo.

Tem altos e baixos. Tem momentos de resistência.

Mas, com o tempo e a persistência, a pessoa começa a lidar melhor com aquilo que antes a tirava completamente do eixo.


Autoconhecimento ajuda você a se expressar. A entender quem você é. A perceber a culpa que surge quando diz “não”. O sentimento de egoísmo quando escolhe você.


Quando começa a se escutar com mais honestidade, algo vai se organizando por dentro. A clareza aparece aos poucos. Você para de lutar contra você mesma. Os problemas continuam existindo. Mas você passa a estar mais alinhada com o que acredita, com pensamentos mais organizados e sentimentos mais assentados.


A raiva deixa de ser só culpa contra si. Vira informação, vira sinal. E a leveza começa a aparecer.


Não porque o peso desapareceu ou porque as dificuldades sumiram. Mas, porque você aprende a não carregar o que não é seu.

 
 
 

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